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sexta-feira, 15 de junho de 2012

HISTÓRIAS ÍNTIMAS

O curso de pós-graduação tem me tomado bastante do tempo que eu dedicava à literatura. Minhas leituras atualmente são de paradidáticos que abordam questões de metodologia, leitura, avaliação, mídias. Se bem que seria interessante refletir aqui sobre as concepções de Paulo Freire, Magda Soares, Isabel Solé, Frank Smith, Ângela Kleiman, Jussara Hoffmann, dentre outros. Mas essa, é claro, não são as minhas HISTÓRIAS ÍNTIMAS, às quais o título do post faz referência.

A um leitor desatento passaria despercebido numa  prateleira que HISTÓRIAS ÍNTIMAS na verdade, mais do que tudo, um livro que conta muito da História do Brasil. Mas de que parte estaríamos falando? Falamos aqui da história que aborda o relacionamento íntimo da Terra de Santa Cruz até os dias atuais.
A primeira coisa que me chamou a atenção na prateleira  da livraria foi a capa do livro. Essa fechadura me convidando a espiar foi algo que, sem dúvida, atiçou minha curiosidade e  fui ver o que havia por dentro. E foi muito interessante e de uma prendizagem singular, através da leitura, voltar no tempo e conhecer as dificuldades, anseios, medos, crenças e preconceitos, doenças com os quais conviviam os amantes, enamorados, casados, "ficantes", santos e pecadores daquela época. 
Fugindo um pouco da visão idealizada que temos da igreja, no livro podemos perceber, através das narrações da autora que, além de lugar para praticar a religiosidade, a igreja era também lugar de encontros, paqueras e  muitas "cositas" mais que um bom cristão não ousaria pensar.
Voltando o pensamento para aquela época do Brasil Colônia, podemos perceber como a  sexualidade e a noção de intimidade foram mudando ao longo do tempo e como o avanço na área dos produtos e apetrechos para a higiene corporal,  com inventos como por exemplo a escova de dentes, o  sabonete, o xampu, o desodorante fizeram toda a diferença para a aproximação dos amantes. Então, naquela época,  beijar na boca nem pensar! Tudo era rápido por causa dos odores, dos "espias" atrás das portas ou a olhar pelas frestas, já que fechadura ainda era artigo de luxo. Eu amei o livro!
Nele podemos entender um pouco mais sobre os valores da sociedade da época, compreendendo que muitos desses valores ainda têm vestígios significativos na sociedade atual. As conquistas femininas são descortinadas pela autora de forma abrangente, mas imparcial, mostrando a mulher fugindo aos poucos da escravidão do espartilho, da desconsideração do direito ao prazer, da gravidez indesejada.
A historiadora Mary del Priore nos conta sobre tudo isso de uma forma ao mesmo tempo descontraída, mas ao mesmo tempo séria, fazendo-nos refletir. O livro é de leitura agradável e prende a atenção do leitor, pois a narrativa é permeada de reflexões da autora que conduz com elegância um tema que poderia cair para uma explanação banal sobre sexualidade, não fosse o talento e o conhecimento histórico do nosso país, apresentado pela escritora.

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