O
curso de pós-graduação tem me tomado bastante do tempo que eu dedicava à
literatura. Minhas leituras atualmente são de paradidáticos que abordam
questões de metodologia, leitura, avaliação, mídias. Se bem que seria
interessante refletir aqui sobre as concepções de Paulo Freire, Magda
Soares, Isabel Solé, Frank Smith, Ângela Kleiman, Jussara Hoffmann,
dentre outros. Mas essa, é claro, não são as minhas HISTÓRIAS ÍNTIMAS,
às quais o título do post faz referência.
A
um leitor desatento passaria despercebido numa prateleira que
HISTÓRIAS ÍNTIMAS na verdade, mais do que tudo, um livro que conta muito
da História do Brasil. Mas de que parte estaríamos falando? Falamos
aqui da história que aborda o relacionamento íntimo da Terra de Santa
Cruz até os dias atuais.
A
primeira coisa que me chamou a atenção na prateleira da livraria foi a
capa do livro. Essa fechadura me convidando a espiar foi algo que, sem
dúvida, atiçou minha curiosidade e fui ver o que havia por dentro. E
foi muito interessante e de uma prendizagem singular, através da
leitura, voltar no tempo e conhecer as dificuldades, anseios, medos,
crenças e preconceitos, doenças com os quais conviviam os amantes,
enamorados, casados, "ficantes", santos e pecadores daquela época.
Fugindo
um pouco da visão idealizada que temos da igreja, no livro podemos
perceber, através das narrações da autora que, além de lugar para
praticar a religiosidade, a igreja era também lugar de encontros,
paqueras e muitas "cositas" mais que um bom cristão não ousaria pensar.
Voltando
o pensamento para aquela época do Brasil Colônia, podemos perceber como
a sexualidade e a noção de intimidade foram mudando ao longo do tempo e
como o avanço na área dos produtos e apetrechos para a higiene
corporal, com inventos como por exemplo a escova
de dentes, o sabonete, o xampu, o desodorante fizeram toda a
diferença para a aproximação dos amantes. Então,
naquela época, beijar na boca nem pensar! Tudo era rápido por causa dos
odores, dos "espias" atrás das portas ou a olhar pelas frestas, já que
fechadura ainda era artigo de luxo. Eu amei o livro!
Nele
podemos entender um pouco mais sobre os valores da sociedade da época,
compreendendo que muitos desses valores ainda têm vestígios
significativos na sociedade atual. As conquistas femininas são
descortinadas pela autora de forma abrangente, mas imparcial, mostrando a
mulher fugindo aos poucos da escravidão do espartilho, da
desconsideração do direito ao prazer, da gravidez indesejada.
A
historiadora Mary del Priore nos conta sobre tudo isso de uma forma ao
mesmo tempo descontraída, mas ao mesmo tempo séria, fazendo-nos
refletir. O livro é de leitura agradável e prende a atenção do leitor,
pois a narrativa é permeada de reflexões da autora que conduz com
elegância um tema que poderia cair para uma explanação banal sobre
sexualidade, não fosse o talento e o conhecimento histórico do nosso
país, apresentado pela escritora.

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